A Sony está enfrentando um processo coletivo na Justiça americana por causa de um problema que boa parte dos jogadores já desconfiava: quando você “compra” um jogo digital na PlayStation Store, você não é dono dele — só tem uma licença de uso.
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Logo oficial do PlayStation, marca da Sony Interactive Entertainment.
A ação foi movida por quatro consumidores que alegam que a empresa nunca deixou isso claro o suficiente, o que violaria uma lei da Califórnia (a AB 2426, de 2024) que exige aviso em linguagem simples de que “comprar” um produto digital, na prática, é só licenciar o uso dele.
A defesa da Sony
Na defesa, os advogados da Sony foram direto ao ponto: “não é plausível alegar que consumidores razoáveis acreditavam que estavam obtendo ‘propriedade’ de um jogo digital”. A empresa usou até um argumento bem específico pra sustentar a tese.
- 11 dias de diferença
foi o intervalo entre as compras do mesmo jogo usado por advogados da Sony como prova.
Dois autores do processo compraram o mesmo jogo, Resident Evil Requiem, com 11 dias de diferença — o que, segundo a Sony, prova que “posse” nunca foi uma expectativa razoável, já que ninguém compraria de novo algo que já possui de verdade.
O próprio marketing da Sony contradiz a defesa
Só que tem um detalhe engraçado nisso tudo: o próprio site e marketing da PlayStation usam frases como “acompanhe sua jornada no PS5 com informações sobre os jogos que você possui” — ou seja, a empresa fala em “possuir” jogos o tempo todo quando quer vender.
- Mais de 30 exemplos
catalogados pela Consumer Rights Wiki de a Sony dizer que você é dono dos seus jogos.
Uma wiki de Direitos do Consumidor já reuniu mais de 30 exemplos parecidos de a Sony dizer aos próprios clientes que eles são donos dos jogos digitais que compraram — uma contradição e tanto entre o discurso de marketing e o argumento jurídico usado agora pra se defender do processo.
O caso ganha ainda mais peso porque a Sony anunciou que vai parar de produzir jogos em disco físico pra PS5 a partir de janeiro de 2028 — ou seja, cada vez mais gente vai depender só da versão digital, exatamente o formato que a empresa agora diz que não pode ser “possuído” de verdade.
Pra quem já vinha desconfiando disso na prática — biblioteca “sumindo” quando um serviço encerra, ou jogo removido de loja digital mesmo já pago —, esse processo só coloca no papel algo que a comunidade gamer discute há anos: até que ponto sua coleção digital é sua mesmo?